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Luz azul em Partículas Magnéticas: qualificação ASME

O ensaio por Partículas Magnéticas fluorescentes é tradicionalmente associado à utilização de luz UV-A em ambientes escurecidos. Entretanto, o avanço das tecnologias de iluminação e dos materiais utilizados no ensaio ampliou as possibilidades para determinadas condições de inspeção.

A ASME BPVC Seção V, Artigo 7, edição 2025, contempla duas abordagens que merecem ser diferenciadas: a realização do ensaio com partículas fluorescentes e luz UV-A em área não escurecida, prevista no Apêndice Obrigatório III (Mandatory Appendix III), e a qualificação de fontes de luz com comprimento de onda alternativo, estabelecida pelo Apêndice Obrigatório IV (Mandatory Appendix IV).

Essas possibilidades não representam uma substituição direta e irrestrita da iluminação convencional. A utilização está condicionada à qualificação do conjunto formado pela fonte de luz, partículas magnéticas, veículo, elementos filtrantes, instrumentos de medição e demais parâmetros definidos no procedimento aprovado.

Partículas fluorescentes em ambientes não escurecidos

O Apêndice III apresenta os requisitos para a realização do ensaio por Partículas Magnéticas fluorescentes com yoke em área não escurecida.

Nessa condição, a luz UV-A continua sendo utilizada para excitar as partículas fluorescentes. A principal diferença está na presença de luz branca no ambiente, que passa a ser uma variável controlada e considerada durante a qualificação do procedimento.

Entre as variáveis essenciais relacionadas pela norma estão:

  • configuração e condição da superfície;
  • métodos de preparação;
  • fabricante e modelo do yoke;
  • fabricante e designação das partículas;
  • separação mínima e máxima entre os polos;
  • etapas de realização do ensaio;
  • intensidade máxima de luz branca;
  • intensidade mínima de UV-A.

A intensidade de UV-A na superfície inspecionada não pode ser inferior à empregada durante o teste de qualificação. Da mesma forma, a intensidade de luz branca não pode ultrapassar o valor utilizado nessa qualificação.

Portanto, o Apêndice III não estabelece um único limite de luz branca aplicável a todas as situações. O valor permitido está vinculado às condições efetivamente qualificadas e registradas no procedimento.

Como é realizada a qualificação em área não escurecida

Para demonstrar a capacidade da técnica, o Apêndice III prevê a utilização de um padrão com descontinuidades artificiais, conforme descrito no próprio Artigo 7.

O padrão é posicionado sobre uma placa de aço-carbono e examinado tanto nas condições propostas para o procedimento quanto em uma condição de referência previamente demonstrada como adequada.

As indicações obtidas são comparadas. Quando o resultado alcançado nas condições propostas se apresenta igual ou superior ao obtido na condição de referência, o procedimento pode ser considerado qualificado para aquela configuração.

Esse processo demonstra porque a iluminação não deve ser analisada isoladamente. O resultado está relacionado ao conjunto de variáveis utilizadas durante a qualificação, incluindo yoke, partículas, preparação da superfície e níveis de iluminação.

Fontes com comprimento de onda alternativo

O Apêndice IV trata de outra possibilidade: a qualificação de fontes de luz com comprimento de onda alternativo para a excitação de partículas fluorescentes.

Nesse contexto, fontes de luz azul podem ser empregadas, desde que seu desempenho seja previamente qualificado com as partículas específicas que serão utilizadas.

A norma não autoriza uma troca direta da fonte UV-A por qualquer luminária de comprimento de onda alternativo. Ela estabelece uma metodologia comparativa para demonstrar que a nova configuração permite visualizar as mesmas indicações obtidas sob UV-A.

A qualificação considera como variáveis essenciais:

  • fabricante e designação das partículas;
  • veículo utilizado, à base de água ou óleo;
  • fabricante e modelo da fonte de luz alternativa;
  • fabricante e modelo do instrumento utilizado para medir essa fonte;
  • óculos filtrantes, quando necessários;
  • intensidade mínima da fonte alternativa.

A identificação do fabricante e do modelo não atribui a essas empresas a responsabilidade pelo procedimento. Essas informações caracterizam os materiais e equipamentos utilizados durante a qualificação, permitindo sua rastreabilidade.

Qualquer alteração nessas variáveis pode exigir uma nova avaliação da configuração utilizada.

Comparação entre UV-A e luz alternativa

A qualificação descrita no Apêndice IV começa com o ensaio do padrão sob luz UV-A em ambiente escurecido.

Para essa etapa, a intensidade de UV-A na superfície deve ser ajustada entre 1.000 µW/cm² e 1.100 µW/cm². As indicações produzidas pelas descontinuidades artificiais do padrão são observadas e fotografadas.

Em seguida, mantendo-se as mesmas partículas e as mesmas indicações, utiliza-se a fonte de comprimento de onda alternativo. A intensidade dessa fonte é ajustada até que as indicações se apresentem essencialmente equivalentes às obtidas com UV-A.

As imagens das duas condições devem ser registradas com técnicas fotográficas compatíveis, incluindo os filtros adequados à fonte utilizada, quando necessários.

Quando a fonte alternativa permite obter as mesmas indicações observadas sob UV-A, ela pode ser qualificada para utilização com aquela partícula específica e nas condições estabelecidas pelo procedimento.

A importância dos óculos filtrantes

Quando a fonte alternativa emite luz na região visível do espectro, com comprimento de onda igual ou superior a 400 nm, a ASME determina a utilização de óculos filtrantes fornecidos pelo fabricante da fonte.

Esses filtros têm duas funções importantes: bloquear a luz visível refletida pela superfície e permitir a transmissão da fluorescência emitida pelas partículas.

Por esse motivo, os óculos filtrantes não devem ser tratados apenas como um acessório. Eles integram a configuração qualificada e precisam ser compatíveis com a fonte de iluminação e com as partículas utilizadas.

A mesma lógica se aplica ao instrumento de medição. Uma fonte alternativa exige um medidor adequado ao seu comprimento de onda. Um radiômetro destinado exclusivamente à medição de UV-A pode não ser apropriado para avaliar uma fonte de luz azul.

Supermagna CRL 265 AG/SN e LABINO MB POSEIDON

Para aplicações com luz azul, a Supermagna CRL 265 AG/SN e a LABINO MB POSEIDON formam uma solução técnica que integra partículas magnéticas de característica dual e uma fonte de comprimento de onda alternativo.

A Supermagna CRL 265 AG/SN é um concentrado de partículas magnéticas dual, base água, formulado para oferecer indicações bem definidas sob luz UV-A, luz visível ou luz azul, conforme as condições estabelecidas no procedimento aplicável.

A LABINO MB POSEIDON é uma luminária portátil de inspeção para END que emite luz azul com comprimento de onda de 440 nm. O equipamento possui quatro LEDs azuis, proteção IP68 (não possui luz branca integrada). Foi desenvolvido para atender à CEN/TR 16638 e está disponível nas versões alimentadas por bateria e cabo elétrico.

Os kits da MB POSEIDON incluem óculos de contraste amarelos, desenvolvidos para bloquear a luz azul refletida pela superfície e favorecer a observação da fluorescência emitida pelas partículas.

A integração entre a CRL 265 e a MB POSEIDON oferece uma alternativa para aplicações que buscam flexibilidade nas condições de iluminação, associando a resposta da partícula dual à emissão de luz azul.

Mais do que confirmar a fluorescência da partícula quando exposta à luz azul, a qualificação demonstra que a integração entre a fonte e as partículas permite obter indicações essencialmente equivalentes às alcançadas na condição de referência com UV-A.

Duas abordagens que não devem ser confundidas

Embora os Apêndices III e IV ampliem as possibilidades relacionadas à iluminação, eles tratam de condições diferentes.

Apêndice IIIApêndice IV
Utiliza partículas fluorescentes com yokeQualifica fontes de comprimento de onda alternativo
Mantém a utilização de luz UV-ACompara a fonte alternativa com a UV-A
Permite o ensaio em área não escurecidaExige qualificação com partículas específicas
Controla a intensidade de UV-A e de luz brancaControla a intensidade da fonte alternativa
Qualifica as condições do procedimentoQualifica a combinação entre fonte, partículas e demais recursos

No Apêndice III, a questão central é demonstrar que a técnica fluorescente com UV-A permanece adequada mesmo com a presença controlada de luz branca.

No Apêndice IV, o objetivo é demonstrar que uma fonte de comprimento de onda alternativo, como a luz azul, consegue excitar partículas específicas e produzir indicações essencialmente equivalentes às obtidas sob UV-A.

Possibilidades para ambientes industriais

A utilização qualificada de partículas dual e fontes de luz azul pode ampliar as possibilidades de inspeção em locais nos quais o escurecimento do ambiente apresenta dificuldades operacionais.

Essa tecnologia pode contribuir para:

  • maior flexibilidade em ambientes com presença controlada de luz branca;
  • adaptação a diferentes condições industriais;
  • utilização de fontes de iluminação desenvolvidas para partículas específicas;
  • controle e rastreabilidade dos parâmetros empregados.

Essas possibilidades estão condicionadas ao atendimento dos requisitos técnicos e à reprodução das condições estabelecidas durante a qualificação. Alterações na fonte, nas partículas, no veículo, nos filtros ou nos níveis de iluminação podem modificar o desempenho observado.

Iluminação também é uma variável técnica

A evolução das fontes de luz amplia as possibilidades do ensaio por Partículas Magnéticas, mas também reforça a necessidade de controle.

Seja na utilização de partículas fluorescentes com UV-A em ambientes não escurecidos, seja na adoção de uma fonte de comprimento de onda alternativo, a iluminação integra o sistema de inspeção. Fonte, partículas, elementos filtrantes, medidores e condições ambientais precisam funcionar de forma compatível e rastreável.

Os Apêndices III e IV da ASME BPVC Seção V, Artigo 7, oferecem caminhos distintos para a qualificação dessas técnicas. Mais do que permitir novas fontes de iluminação, eles estabelecem critérios para demonstrar que as condições propostas preservam a capacidade de revelar as indicações previstas.

A definição da técnica, dos parâmetros e dos critérios aplicáveis deve constar em procedimento elaborado e aprovado por profissional Nível 3, em conformidade com a norma e com os requisitos internos de cada organização.

Referências

ASME Boiler and Pressure Vessel Code, Section V — Nondestructive Examination, Article 7 — Magnetic Particle Examination, Mandatory Appendices III and IV, edição 2025.

LABINO AB. MB POSEIDON — NDT Inspection with Blue Light. Informações técnicas do fabricante.

Conheça as soluções para ensaios com luz azul

Saiba mais sobre o concentrado de partículas magnéticas dual Supermagna CRL 265 AG/SN e a luminária de luz azul LABINO MB POSEIDON, apresentados neste artigo.

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Sherwin Dubl-Chek: Materiais Penetrantes qualificados na QPL

Entenda a relevância da Qualified Products List em setores como o aeroespacial e o papel da linha Dubl-Chek em ensaios por líquido penetrante

Em Ensaios Não Destrutivos por líquido penetrante, a escolha do produto deve considerar o método de inspeção, o tipo de material, a condição da superfície, o nível de sensibilidade requerido, o método de remoção e as normas aplicáveis ao processo.

Em setores como o aeroespacial, essa seleção pode envolver requisitos adicionais. A norma exige materiais qualificados na QPL — Qualified Products List, associada à SAE AMS 2644.

Nesse cenário, a linha Sherwin Dubl-Chek atende aplicações que exigem produtos com qualificação específica, rastreabilidade documental e conformidade com requisitos técnicos.

A Metal-Chek disponibiliza no Brasil a linha Sherwin Dubl-Chek, ampliando o acesso a soluções destinadas a processos especiais.


O que é a QPL?

QPL é a sigla para Qualified Products List, ou Lista de Produtos Qualificados.

Trata-se de uma lista que reúne produtos qualificados a aptos para utilização. No caso dos materiais utilizados em ensaio por líquido penetrante, a referência é a SAE AMS 2644, especificação que estabelece critérios para classificação, qualificação, aprovação e controle de qualidade desses materiais.

A presença de um produto na QPL indica que ele foi submetido aos critérios de avaliação rigorosos.


Qual a relevância da QPL em ensaios por líquido penetrante?

O ensaio por líquido penetrante é utilizado para detectar descontinuidades superficiais abertas à superfície, como trincas, porosidades, dobras e outras indicações compatíveis com o método.

Embora seja amplamente aplicado na indústria, sua confiabilidade depende da combinação correta entre produto, procedimento, condição de ensaio e interpretação técnica.

Entre os fatores que influenciam o desempenho do ensaio estão:

• preparação adequada da superfície;
• compatibilidade entre penetrante, removedor, emulsificante e revelador;
• método de remoção;
• controle da iluminação;
• tempo de penetração e revelação;
• condição superficial do componente;
• capacitação do inspetor;

Em aplicações aeroespaciais, de defesa, turbinas, motores e componentes, o uso de materiais qualificados é uma exigência normativa.

Nesses casos, a QPL contribui para padronizar a seleção de produtos e fortalecer o controle do processo.


O que é a linha Sherwin Dubl-Chek?

A linha Sherwin Dubl-Chek é composta por materiais para ensaio por líquido penetrante, incluindo penetrantes fluorescentes, penetrantes visíveis, emulsificadores, removedores e reveladores.

Neste artigo, o foco está nos produtos Dubl-Chek, especialmente quando há necessidade de qualificação conforme QPL/AMS 2644.

A linha contempla diferentes combinações de sistema penetrante, permitindo atender requisitos variados de método de remoção, nível de sensibilidade e controle de processo.


Quais produtos fazem parte da linha Dubl-Chek?

A linha Dubl-Chek inclui penetrantes fluorescentes laváveis à água, penetrantes fluorescentes pós-emulsificáveis, penetrantes visíveis, emulsificadores, removedores e reveladores.

Entre os penetrantes fluorescentes Métodos A e C, destacam-se:

• HM-604 — Nível 3;
• HM-704 — Nível 4;

Entre os penetrantes fluorescentes pós-emulsificáveis Métodos B, C e D, estão:

• RC-50 — Nível 2;
• RC-65 — Nível 3;
• RC-77 — Nível 4;

A linha também contempla produtos complementares, como:

• ER-83A — emulsificante hidrofílico, Método D;
• DR-60 e DR-62 — removedores;
• D-90G, D-100, D-113 e D-110 — reveladores em diferentes formas.

Dubl-Chek RC 77: exemplo de produto para alta criticidade

Entre os produtos da linha, o Dubl-Chek RC 77 é um exemplo de penetrante fluorescente voltado a aplicações de alta sensibilidade.

O RC 77 é um penetrante fluorescente de Nível 4, indicado para inspeções que exigem ultra alta sensibilidade. É utilizado em aplicações críticas, incluindo componentes aeroespaciais, materiais como alumínio e magnésio, conforme requisitos do procedimento aplicável.

Por ser um produto de alta sensibilidade, sua aplicação deve estar alinhada ao método de remoção especificado e às condições de inspeção. Em sistemas fluorescentes, fatores como intensidade de UV-A, controle de luz ambiente, remoção adequada do excesso e compatibilidade com o revelador são decisivos para a confiabilidade do resultado.


Por que a linha Dubl-Chek é utilizada em aplicações críticas?

A utilização da linha Dubl-Chek em aplicações críticas está relacionada à necessidade de atender requisitos específicos de qualificação, sensibilidade e rastreabilidade.

1. Sensibilidade adequada a inspeções de alta exigência

A linha inclui penetrantes fluorescentes de média, alta e ultra alta sensibilidade, como produtos Nível 2, Nível 3 e Nível 4.

Esses níveis são aplicados em inspeções nas quais a detecção de indicações finas pode ser necessária, desde que o acabamento superficial, o método de remoção e as condições de inspeção sejam compatíveis com esse grau de sensibilidade.

2. Opções para diferentes métodos de remoção

A disponibilidade de produtos laváveis à água, pós-emulsificáveis e removíveis por solvente permite selecionar o sistema conforme a necessidade do processo.

3. Sistema completo de inspeção

O ensaio por líquido penetrante não depende apenas do penetrante. O desempenho do método está associado ao conjunto formado por penetrante, removedor ou emulsificador, revelador e condições de ensaio.

4. Atendimento a setores regulamentados

Em setores como aeroespacial, defesa, turbinas e motores, os requisitos de inspeção costumam ser mais restritivos. A escolha dos materiais deve considerar especificações técnicas, documentação, aprovação do cliente e presença na QPL.

Nesse contexto, a linha Dubl-Chek atende demandas em que a qualificação do produto faz parte dos requisitos do processo.


Dubl-Chek no Brasil: disponibilidade pela Metal-Chek

A Metal-Chek disponibiliza no Brasil a linha Sherwin Dubl-Chek para empresas que atuam em processos com requisitos de alta criticidade, especialmente quando há exigência de produtos qualificados conforme QPL/AMS 2644.

A disponibilidade nacional contribui para o atendimento de demandas em fabricação, manutenção e inspeção de componentes especiais, oferecendo acesso a produtos voltados a setores regulamentados e aplicações com maior exigência.


A linha Sherwin Dubl-Chek é voltada a aplicações críticas em ensaios por líquido penetrante, especialmente quando há exigência de materiais qualificados em QPL e conformidade com requisitos associados à SAE AMS 2644.

Seu uso é particularmente relevante em setores como aeroespacial, defesa, turbinas, motores e componentes especiais, nos quais a escolha do sistema penetrante envolve sensibilidade, rastreabilidade, documentação e controle rigoroso de processo.

Em Ensaios Não Destrutivos, a escolha correta do produto deve partir do requisito técnico da aplicação. Sensibilidade, método de remoção, compatibilidade com o material, procedimento aprovado e norma aplicável precisam caminhar juntos para garantir resultados confiáveis.


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